Som do Céu 2009
Por stumm em 16 de abril de 2009
O Som do Céu 2009, ocorrido no feriado da Páscoa, foi um evento histórico. Não apenas porque reuniu nomes que até então jamais haviam estado presentes no mesmo evento. Não apenas pelos shows ou pelo peso do nome dos que subiram ao palco (Vencedores por Cristo, João Alexandre, Jorge Camargo, Nelson Bomilcar, Telo Borges, Grupo Logos, Aristeu Pires, Wesley e Marlene, Carlinhos Veiga, Baixo e Voz, Expresso Luz, Jorge Redher, Quarteto Vida, Sal da Terra, Crombie, Stênio Marcius, dentre tantos outros…). Foi um evento histórico pela profundidade do debate ocorrido nesses dias e o que resultou dele.
A 25ª edição do Som do Céu contou com a publicação da “Carta do Som do Céu”. Um documento assinado por uma série de artistas e pastores, com 25 pontos que representam uma importante diretriz acerca de como a comunidade cristã deve encarar a produção da arte.
A apresentação oficial da Carta do Som do Céu ocorreu no sábado à noite, e foi muito bacana ser a primeira banda a tocar após a publicação oficial do documento! O Golgotha tocou um set curto (Anestesia, Longe de Ti, 40, Que Segurança, e Vencendo Vem Jesus), mas foi o suficiente para fazer os 600 presentes pularem até o fim (ou principalmente no fim!).
Muito legal também estreitar as relações com o povo de Curitiba, afinal, em 33 horas de viagem (ida e volta) deu para todo mundo colocar os papos em dia.
Próximo evento é o EJN, em Joinville/SC! E se vc ainda não se inscreveu, não perca tempo, porque já tem mais de 1000 presenças confirmadas! Inclusive o Golgotha!!
Ah, e claro, não deixe de ler a íntegra da Carta do Som do Céu, que segue abaixo.
Nós, músicos, artistas e líderes eclesiásticos, cristãos, vindos das variadas regiões brasileiras, estivemos reunidos entre os dias 6 a 12 de abril de 2009, no Acampamento da Mocidade Para Cristo do Brasil, dias de comemoração dos 25 anos do Som do Céu, para discutir dois temas principais: “A música e os músicos na igreja” e “A igreja como promotora de cultura”.
Agradecemos a Deus pelos dias de comunhão fraterna entre nós e pelo privilégio de ouvi-lo entre as vozes pastorais e proféticas que ecoaram em nosso meio. Reconhecemos que a música cristã tem ocupado um espaço significativo em nossos dias, tanto na igreja como na sociedade em geral. No entanto, observamos que nem sempre essa participação tem sido consistente e coerente com a Palavra de Deus – nosso referencial maior – nem rendido glórias ao Senhor da Igreja. Desejamos, portanto, apresentar à Igreja brasileira a “Carta do Som do Céu”, sintetizada em 25 pontos, que resume nossas inquietações e propõe ações práticas à Igreja de Cristo Jesus, nesse princípio de século XXI:
1. O artista cristão deve desenvolver o seu dom criativo e submetê-lo exclusivamente aos valores da Palavra de Deus;
2. Cremos que a arte, na perspectiva da graça comum, é um presente dos céus a toda humanidade e não está restrita aos cristãos;
3. Desejamos que haja coerência entre a vida, o ministério e a profissão do artista cristão, cujo discurso deve estar aliado à sua prática;
4. Esperamos que o artista cristão busque servir a Deus e à sociedade com excelência e integridade, dedicando-se ao desenvolvimento dos talentos e dos dons recebidos do alto;
5. A igreja precisa estar atenta ao artista cristão como parte do rebanho de Deus e dar a ele a atenção devida, despida de preconceitos, e oferecer-lhe pastoreio e discipulado, objetivando a sua formação espiritual e ética;
6. Esperamos que o artista cristão esteja envolvido em uma igreja local, servindo-a e amando-a como Corpo de Cristo. Deve ser rejeitada toda e qualquer tentativa de desenvolvimento de uma fé individualista e distante da comunidade;
7. Reafirmamos que a elaboração de textos e letras deve ter embasamento nos valores da Palavra de Deus;
8. Comprometemo-nos a dedicar atenção e reflexão às canções que são introduzidas no culto de adoração e nas demais atividades da igreja, buscando um repertório equilibrado e consciente e evitando, de todas as formas, que heresias e desvios teológicos adentrem sutilmente em nossas comunidades;
9. As igrejas, as instituições de ensino teológico e os artistas cristãos devem combater o ensinamento equivocado e amplamente difundido de que louvor e adoração restringem-se à musica, ensinando, por demonstração e exemplo, que se trata de um estilo de vida que envolve todas as áreas da nossa existência e que a música, assim como outras formas de arte, é expressão legítima de louvor e adoração;
10. A igreja deve agir como facilitadora na adoração e abrir espaço para que todos expressem seu louvor a Deus;
11. Esperamos que o músico cristão busque e desenvolva a santidade, vivendo uma vida piedosa, tanto no serviço prestado a Deus na igreja, quanto fora dela, em sua atividade profissional;
12. Rejeitamos a dicotomia que faz separação entre o sagrado e o secular e cria espaços estanques na vida do cristão. O Senhor Jesus é soberano e governa todas as instâncias da vida, e, por isso, devemos somente a ele a nossa fidelidade, agradando-o em tudo e rejeitando tão-somente o que ofende a sua glória;
13. A Igreja não se pode esquivar de sua responsabilidade diante da cultura na qual está inserida; deve mentoriar a reflexão e a prática de uma teologia de arte e cultura;
14. Incentivamos as igrejas a abrir suas dependências para a realização de eventos culturais como exposições, mostras, cursos, saraus e outras atividades visando à educação, à divulgação e à aproximação da sociedade;
15. Mesmo entendendo que todo trabalho na igreja é voluntário, podemos honrar com sustento ou remuneração aqueles que se dedicam ao ministério musical, se a comunidade disponibiliza de recursos para tal;
16. Entendemos que nossa arte deve encarnar uma voz profética e manifestar em seu conteúdo os valores do Reino;
17. Recomendamos que as igrejas promovam encontros de reflexão sobre a utilização das artes no Reino de Deus, capacitando os artistas para a realização de seu trabalho;
18. Incentivamos os músicos a expressar em sua arte a beleza de Deus por meio de uma contextualização e diversidade musical;
19. Reconhecemos o caráter essencialmente transformador e questionador da nossa arte e não cremos que ela deva estar a serviço do mercado;
20. Muito embora os artistas cristãos não se devam render aos senhores da mídia, tornando-se reféns desta, podem utilizar de maneira ética os meios de comunicação como canal para a divulgação de sua arte, proclamando, assim, o Reino de Deus;
21. No que se refere ao relacionamento entre os músicos e a liderança eclesiástica, encorajamos o diálogo, o respeito e o reconhecimento mútuo de seus ministérios como algo dado por Deus;
22. Incentivamos que os artistas cristãos busquem perante o Estado e a iniciativa privada recursos para a promoção de sua arte por meio de leis de incentivo à cultura, editais para financiamento de projetos culturais etc.
23. Encorajamos as igrejas a investir na educação e na formação de artistas;
24. Propomos que as igrejas e as instituições de ensino teológico incentivem as diversas manifestações artísticas e não somente a área musical;
25. Compreendemos que o ofício de artista é legítimo como tantos outros, podendo ser exercido pelo artista cristão no mercado de trabalho e devendo ser apoiado e incentivado pelas comunidades cristãs.
São Sebastião das Águas Claras, 9 de abril de 2009.
Assinaram os debatedores: Aristeu de Oliveira Pires Junior – Canela (RS), Carlinhos Veiga – Brasília (DF), Denise Bahiense – Rio de Janeiro (RJ), Erlon de Oliveira – Belo Horizonte (MG), Gladir Cabral – Florianópolis (SC), João Alexandre Silveira – Campinas (SP), Jorge Camargo – São Paulo (SP), Jorge Redher – São Paulo (SP), Marcos André Fernandes – Garanhuns (PE), Marlene F. Vasques – Goiânia (GO), Nelson Marialva Bomilcar – São Paulo (SP), Paulo César da Silva – São José dos Campos (SP), Romero Fonseca – Goiânia (GO), Rubão Rodrigues Lima – Brasília (DF), Sérgio Paulo de Andrade Pereira – Ribeirão Preto (SP), Wesley Vasques – Goiânia (GO), Demais participantes: Alfredo de Barros Pereira – Brasília (DF), Andréa Laís Barros Santos – Maceió (AL), Aracy Clarkson Ferreira – Rio de Janeiro (RJ), Armando de Oliveira – Salvador (BA), Bruno Leonardo Alves da Fonsêca – Garanhuns (PE), Caio César da Silva Pereira – Brasília (DF), Carolina Gama – Campinas (SP), Carolina Lage Gualberto – Belo Horizonte (MG), Cláudia Barbosa de Souza Feitoza – Brasília (DF), Danielle Martins Lima – (MG), Davi Julião – São Paulo (SP), Dora Bahiense – Florianópolis (SC), Elecy Messias de Oliveira – Goiânia (GO), Fábio Cândido de Jesus – Anápolis (GO), Felipe de Freitas Hermsdorff Vellozo – Niterói (RJ), Francely F. Barbosa – Anápolis (GO), Glauber Toledo Plaça – São Paulo (SP), Gleice de Oliveira Vicente Cantalice – Maceió (AL), Guilherme e Alessandra Fontes, Vilela Carvalho – Belo Horizonte (MG), Guilherme Praxedes – Belo Horizonte (MG), Hadassa de Moraes Alves – Viçosa (MG), Irineu Santos Junior – Belo Horizonte (MG), Isabella Sarom Sabino Honorato – Anápolis (GO), Ismael S. Rattis – Brasília (DF), João Carlos Pereira Junior – Vitória (ES), Jocemar “Mazinho” Filho – Recife (PE), Jônatas de Souza Reis – Belo Horizonte (MG), Karen Bomilcar – São Paulo (SP), Leonardo de Azeredo Peclát – Goiânia (GO), Leonardo Rodrigues Barbosa – Brasília (DF), Lidiane Dutra da Silva – (MA), Marcel Martins Serafim – Jacareí (SP), Marcelo Gualberto da Silva – Belo Horizonte (MG), Márcia Pacheco Foizer – Brasília (DF), Marilda Redher – São Paulo (SP), Marivone Lobo Pereira – Ribeirão Preto (SP), Pedro Barbosa de Souza Feitoza – Brasília (DF), Rafael Ribeiro Santos – São Paulo (SP), Renata Telha Ferreira – Rio de Janeiro (RJ), Roberto Cândido de Barros – Curitiba (PR), Selma de Oliveira Nogueira – São Paulo (SP), Silvestre Moysés Loyolla Kuhlmann – São Paulo (SP), Stênio Március – São Paulo (SP), Talita Estrela R. Martins – Belo Horizonte (MG), Vânia Sathler Lage – Belo Horizonte (MG), Walma Oliveira – Rio de Janeiro (RJ),









